Uma publicação afirma que crianças com autismo tomaram um suplemento de luteolina, descrito como um flavonoide presente no aipo e na salsa, e que os pais relataram melhorias na fala, nas competências sociais, no contacto visual e nos sintomas gastrointestinais. Um estudo real está por trás desta afirmação. Os detalhes importam, e vários não correspondem ao enquadramento viral.
O estudo real
Publicado em 2013 na Clinical Therapeutics, o estudo de Taliou e colegas deu a 50 crianças com perturbação do espetro do autismo uma formulação dietética durante 26 semanas; 40 completaram o estudo. A formulação não era luteolina pura. Combinava luteolina (100mg, obtida da camomila), o flavonoide quercetina (70mg) e o seu glicósido rutina (30mg) em cada cápsula, uma mistura de flavonoides anti-inflamatórios, não um único composto derivado do aipo. As crianças que completaram o tratamento mostraram uma melhoria significativa nas Vineland Adaptive Behavior Scales e uma redução nas pontuações do Aberrant Behavior Checklist, cobrindo áreas como irritabilidade, hiperatividade e comunicação.
Um seguimento mecanístico real
Um estudo de seguimento de 2015 na Translational Psychiatry, por alguns dos mesmos investigadores, mediu marcadores sanguíneos nas crianças do ensaio original e descobriu que quem mais melhorou também tinha níveis significativamente reduzidos de duas moléculas inflamatórias, TNF e IL-6. Isto acrescenta um fio biológico real: o autismo tem sido repetidamente ligado a marcadores de inflamação cerebral e imunitária, e a luteolina tem propriedades anti-inflamatórias e estabilizadoras de mastócitos documentadas em investigação laboratorial. A correlação entre melhoria comportamental e marcadores de inflamação mais baixos é um achado real e interessante.
Porque a evidência é mais fraca do que parece
O ensaio original foi aberto, o que significa que não havia grupo placebo nem ocultação. Os pais sabiam que o filho estava a receber o suplemento. Isso importa imenso para uma condição avaliada sobretudo através de listas de comportamento preenchidas pelos pais, já que esperar uma melhoria pode realmente moldar o que os pais notam e relatam, independentemente de qualquer mudança real subjacente. Os próprios autores do estudo apontam isto como a limitação central do ensaio, algo que a publicação viral não menciona. Existe também um interesse financeiro declarado que vale a pena conhecer: o investigador principal associado a esta linha de estudos tem uma ligação comercial com esta formulação específica de luteolina, divulgada nos próprios artigos. Isso não torna os resultados falsos, mas é exatamente o tipo de detalhe que faz parte do quadro completo.
O que isto não mostra
Isto é um único estudo piloto pequeno e não controlado, e uma única análise de seguimento da mesma coorte, não um grande ensaio aleatorizado controlado por placebo, e não foi amplamente replicado por grupos de investigação independentes desde 2013. Também não significa que comer aipo ou salsa, que contêm quantidades muito menores e menos padronizadas de luteolina do que uma cápsula de 100mg, produziria algo semelhante. A ligação entre inflamação e autismo é uma área de investigação legítima e ativa, mas "um suplemento mostrou um sinal promissor num piloto aberto" é muito diferente de "isto trata o autismo".
A conclusão honesta
Há aqui um sinal real, publicado e revisto por pares, que não é de desprezar, e aponta para uma direção de investigação genuinamente interessante que liga inflamação e sintomas autistas. Mas a evidência é preliminar, sem ocultação, e vem com um conflito de interesses divulgado. Antes de experimentar qualquer suplemento, fale com o pediatra do seu filho, especialmente porque os suplementos não são isentos de risco e não são regulados como os medicamentos.
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Fontes: Taliou, A. et al. (2013). "An open-label pilot study of a formulation containing the anti-inflammatory flavonoid luteolin and its effects on behavior in children with autism spectrum disorders." Clinical Therapeutics, 35(5), 592-602. Tsilioni, I., Taliou, A., Francis, K., Theoharides, T.C. (2015). "Children with autism spectrum disorders, who improved with a luteolin-containing dietary formulation, show reduced serum levels of TNF and IL-6." Translational Psychiatry, 5, e647. Resumo educativo, não é um diagnóstico nem aconselhamento médico.
